Como devem saber, no filme Button nasce velho e ao longo da vida vai-se tornando cada vez mais novo até terminar numa infância sem memória e num bebé inexpressivo. Ele tem o tempo fechado, contado sem a incerteza, a abertura do homem comum. Este envelhecendo não deixa de tentar alcançar os seus sonhos nem de sonhar (ver no filme a personagem Tilda Swinton), recorda e conta a sua história e com ela aprende e ensina, vive a vida como um dom que se entende quando começa mas se oferece quando acaba, pode sempre recomeçar porque o caminho inexorável do tempo não o impede de arriscar porque o futuro é indefinição.
Assim e apesar da desilusão cinéfila, saí do cinema satisfeito porque envelhecer, mais que uma fatalidade é a grande oportunidade que temos de não deixar de acreditar na possibilidade de realizar as nossas utopias. Aliás, as grandes lições que tenho recebido ao longo da vida têm sido dos mais velhos. E grande parte do meu amor vai para alguns homens e mulheres que já cá vivem há algum tempo e de quem tanto dependo. Mas como estamos aqui para falar de cinema e não só de argumentos nem da nossa história pessoal, reafirmo a minha desilusão com este objecto cinematográfico: foi uma oportunidade perdida.
Nota: 6
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